terça-feira, 22 de agosto de 2017

REIVINDICAÇÃO OU VANDALISMO ?


Pichação em muro sempre causa polêmica, principalmente quando se trata de um muro público. No caso específico, como se observa na fotografia trata-se de uma pichação numa escola pública, nesse caso cabe algumas reflexões.
Não quero aqui entrar no mérito das razões que motivaram a pichação, até porque desconheço, mas tão somente ao significado do ato. Sou contra a qualquer ato típico de vandalismo, mas no caso em questão trata-se simplesmente de vandalismo?

Como pedagoga que sou vislumbro que a educação vem cumprindo seu papel libertador à medida que incentiva os jovens a se expressarem criticamente identificando os problemas e propondo soluções que possam transformar a sociedade em um mundo melhor, mais feliz e mais justo.
O (s) autor (es) da pichação demonstram um insatisfação e externaram isso ainda que de forma reprovável. Afirmo que a forma foi reprovável porque ninguém em sã consciência concorda com a degradação do patrimônio público, porém tal ação tem um significado. Talvez o desgaste natural de uma gestão antiga que não consegue mais acompanhar os anseios e as reivindicações do seu público tornando o diálogo difícil. Assim, a forma encontrada de demonstrar insatisfação foi, digamos infeliz, mas deu seu recado, cumpriu seu objetivo, manifestou-se conscientemente, suponho.
Nesse caso, fica visível que a educação precisa avançar muito, se a educação oferecida conseguiu despertar a consciência crítica e provocar reivindicação, agora precisa discutir as formas de se produzir manifestação sem agredir o patrimônio público, se faz necessário educar para a cultura pacífica e do diálogo, na tentativa de esgotar todas as formas de se manifestar democraticamente sem provocar vandalismo e sem atingir a honra de terceiros.

O ato praticado no muro dessa escola pública demonstra que a educação falhou no sentido de que vem estimulando a capacidade reivindicatória, mas parece ter descuidado de discutir os mecanismos pacíficos e democráticos de resolver os problemas e, principalmente a preservação da coisa pública, mas do ponto de vista de se mostrar um cidadão ativo, participativo e reivindicativo capaz de interferir na realidade em que vive a educação acertou, no entanto, conforme demonstrado, ainda precisa evoluir.
Por Romancina Rezende (Instituto Viver Melhor)

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