Faltando Poucos dias para repassar a administração municipal de Barreiras ao novo prefeito eleito, a atual gestora, Jusmari Oliveira cita suas principais ações ao longo de seus quatro anos de mandato e desaprova a recente decisão de não-realização do Carnaval de Barreiras em 2013. “Eu não posso negar que Barreiras ainda está doente. A cidade tem ‘enfermidades’ a serem atacadas e curadas. Contudo, o município está adoentado porque ele foi ferido de morte pelo ex-prefeito Antônio Henrique. Uma doença que Barreiras tem que é quase incurável é a dívida com o INSS de 266 milhões. Cerca de 80% deste montante foi contraído justamente por Antônio Henrique no passado”, declarou Jusmari Oliveira.
Segundo a prefeita de Barreiras, ela reconhece a situação das ruas da cidade, questão tão criticada e apontada pela população, movimentos de oposição e órgãos de imprensa. Mas destaca que tal situação não advém de sua gestão, e sim de administrações anteriores: “As pessoas esqueceram como nós encontramos esta cidade. Os problemas existem, não negamos, mas não foram gerados em nosso mandato. Pelo contrário, enfrentei com coragem muitas questões que foram negligenciadas por antigos prefeitos, como por exemplo, o esgotamento sanitário”.
Jusmari afirma que, ao assumir o comando do município, acabar com o esgoto a céu aberto foi sua maior prioridade, pois conforme ela, não há saúde sem esgotamento sanitário adequado. “Tivemos que enfrentar isso e assumir o desgaste político de realizar uma obra como esta, que traz um transtorno enorme para a população. Todavia, me sinto realizada, foi o meu maior desafio, e foi cumprido. A obra já está 80% finalizada, dentro de poucos meses estará concluída”, pontuou.
CARNAVAL: FAZER OU NÃO FAZER?
Sobre a decisão de Antônio Henrique, prefeito eleito nas últimas eleições de não realizar o Carnaval em Barreiras no ano que vem alegando que a cidade está doente, a gestora municipal é enfática: “Acho um absurdo essa festa não ser realizada. É um prejuízo que a cidade vai demorar a recuperar. E nem estou mencionando aqui donos de blocos ou a falta da festa em si para o povo, mas do prejuízo moral da repercussão em toda a imprensa nacional de que Barreiras está falida. Ninguém investe em algo arruinado. A cidade vai perder para além da época do Carnaval”, afirmou Jusmari Oliveira.
A prefeita também fez questão de relembrar como foi realizar o primeiro Carnaval no município: “Assumimos o governo em 2009 com a responsabilidade de fazer a festa momesca. A pressão foi tamanha que não víamos possibilidade de não realizar o Carnaval. Enchemos-nos de coragem e fizemos o evento. Encontramos uma prefeitura sem recursos e a cidade sem infraestrutura. É bom lembrar ainda que tivemos apenas 30 dias para organizar a festa, já que o Carnaval aconteceu na primeira semana de fevereiro e assumimos no dia 1º de janeiro. Muitas vezes, é preciso mais coragem do que recursos para se fazer algo”.
Jusmari usa novamente a palavra “coragem” ao se referir sobre a continuidade do seu trabalho por parte do novo prefeito. “Se Antônio Henrique tiver a coragem que eu tive, ele vai curar Barreiras. Se ele tiver responsabilidade, ele vai colocar para funcionar os postos de saúde que construímos e continuar a construção dos que estamos deixando, bem como as creches, que no início eram apenas 3 e estamos deixando 14”, asseverou a gestora municipal.
INFRAESTRUTURA
De acordo com Jusmari, a rua Capitão Manoel Miranda era totalmente intransitável, bem como a paralela em frente a prefeitura e a que situa-se em frente ao supermercado Castro. “Recuperamos a Capitão Manoel Miranda e as duas paralelas. Refizemos ainda a BR 020 que estava em estado deplorável. Não podíamos esperar pelo DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) nem pelo Ministério dos Transportes. Isso é para quem tem coragem de fazer e fizemos”.
A administradora municipal afirma que quando assumiu a prefeitura de Barreiras quase tudo era direcionado para a cidade de Luis Eduardo Magalhães e que não havia alento nem perspectiva para o povo barreirense. “Se decretássemos a calamidade de nossa cidade na época, onde o povo não tinha saúde, não tinha escolas em boas condições, onde havia crianças pelas ruas pedindo esmolas, idosos sem cuidados, quem sofreria seria a população, não o gestor municipal. Nenhuma empresa se instala em um município que decreta calamidade pública. É dever de um prefeito promover a esperança e não o terror”, disse Jusmari.
Ela continua: “Por mais de 18 anos se falava na obra do anel viário, mas não o fizeram. Nós fizemos. Estamos deixando esta obra quase concluída, em poucos meses será inaugurada. Uma obra de mais de 20 milhões de reais, elaborada por nós e o Exército Brasileiro”. A prefeita também levantou a questão do aeroporto de Barreiras: “O aeroporto estava fechado. Lutamos pela ampliação do lugar, ajudamos na aquisição de equipamentos, entre outras tantas ações. E hoje, o aeroporto da cidade funciona com quatro vôos diários, efetuados por duas companhias aéreas”.
SAÚDE
A prefeita lembra ainda que Barreiras era o segundo município do Estado com maior índice de infestação por dengue, perdendo apenas para Itabuna: “No começo de nossa gestão presenciamos três casos de morte por esta doença. Isso sim era uma verdadeira calamidade”. Conforme Jusmari Oliveira, a rota da saúde hoje é outra: ao invés do povo barreirense ir em busca de atendimento em outras cidades e estados, como o Distrito Federal, são os pacientes de outros lugares que vêem à Barreiras em busca de atendimento médico. “E quando se faz necessário, arcamos com o custo de passagens, alimentação e estadia de nossos pacientes em outras localidades”, acentuou ela.
Quando o assunto é cuidar de pessoas, Jusmari afirma que este foi o princípio norteador de seu governo. “Cuidar das pessoas, esse é o meu entendimento quando me perguntam o que faz um gestor público. Fomos o primeiro município da Bahia a ter uma unidade móvel de atendimento ao Bolsa Família, o que tornou possível o atendimento de 7 mil para 13 mil famílias. Criamos uma rede de proteção social que não é vista na maioria das cidades do oeste baiano e até no Estado”, destacou ela.
De acordo com Jusmari, foram momentos de grandes desafios e não faltaram motivos para decretar calamidade pública no município. “Não fiz isso porque não acredito ser esta a única solução. Não é uma atitude de coragem. Ao decretar isso, como anunciou o novo prefeito, de ‘cidade acabada’, não virão novos investidores, ninguém investe em cidade falida. Eu sim peguei uma cidade acabada. Mas, com coragem e força de vontade tudo pode ser mudado para melhor”.
Ao invés de decretar desgraça pública, Jusmari buscou parceiros privados e públicos, tanto na esfera estadual quanto federal. Ao longo de quatro anos, esteve afastada por duas vezes da prefeitura de Barreiras, uma por decisão da justiça, sob alegação de ter doado combustível para carreata durante campanha eleitoral (o que mais tarde ficou comprovado judicialmente que não aconteceu) e outra quando esteve internada por 22 dias devido um quadro de infecção generalizada. “Mesmo assim nunca me afastei inteiramente do meu trabalho enquanto gestora municipal, porque foi para melhorar a vida dos barreirenses que me candidatei”, frisou a prefeita.











